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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

O INFERNO BÍBLICO - O Lago de Fogo

Vale de Hinom, que no passado serviu de ilustração e exemplo para o "inferno", o lago de fogo descrito na Bíblia

                           A DESTRUIÇÃO DO PECADO E DOS PECADORES  
Qual é o real significado da palavra “inferno”? A Bíblia Sagrada revela ou confirma a existência de um lugar de tormento perpétuo, onde pessoas serão jogadas para queimar por toda a eternidade por causa de seus pecados não perdoados, num sofrimento horrendo e sem esperança? É este ensinamento cristão ou está ele em harmonia com o caráter do Criador e os Seus princípios de justiça revelados nas Sagradas Escrituras? 



A resposta clara, firme e direta para estas perguntas é: não! Não existe tal lugar no Universo e a Palavra de Deus não ensina isso e nem sanciona esse pensamento monstruoso, totalmente contrário ao caráter misericordioso e longânimo do Pai Celestial, cuja benignidade é para sempre. Então, como explicar os inúmeros textos que fizeram esta doutrina satânica prevalecer por tanto tempo e sobre tantas religiões e pessoas? Como e quando e por quem foi ele criado, e qual o seu objetivo?

Para que este tema seja devidamente compreendido é necessário que se busquem as suas origens e que se estude a maneira como foram elas inseridas nas Sagradas Escrituras. 

Os textos originais do grego e hebraico do qual a expressão “inferno” foi tirada têm significado completamente diferente do sentido que foi dado por tradutores e intérpretes, que assim o fizeram por ignorância ou por interesse. Este breve estudo pretende esclarecer as principais causas, o propósito e consequências desse tema que tem enchido de terror, angústia ou incredulidade incontáveis multidões ao longo dos séculos. Antes, as expressões originais que deram origem a esse equívoco. São as palavras Geena e Hades.

A primeira destas palavras traduzida por inferno é o termo hebraico Geena, do original Gei-Hinnom, que originalmente fazia referência a um vale nos arredores de Jerusalém e que quer dizer “Vale do filho de Hinon (Jeremias 7:31).  Esse é o lugar onde era jogado o lixo daquela cidade. Ali eram lançados os detritos e dejetos orgânicos de uma cidade de milhares de habitantes. Além do lixo eram lançados no local os corpos de animais, e os cadáveres de indigentes e de malfeitores, considerados indignos de um túmulo memorial.

As modernas usinas de tratamento e reciclagem de lixo que existem hoje nas grandes cidades anulam o problema sanitário que certamente existia naquela época e que eram resolvidos pelos métodos de que podiam então dispor. Estes métodos resumiam-se praticamente na utilização do fogo, que era de contínuo alimentado pelo enxofre. E o fogo que queimava tudo isso, ardia de dia e de noite, continuamente.

Constantemente, diariamente, eram ali atiradas toneladas de lixo e detritos orgânicos que estavam sempre em combustão. Era um local que serviu de exemplo e ilustração para pregadores – entre eles Jesus e profetas – fazerem referência ao fogo que no fim dos tempos irá consumir todos os pecadores não arrependidos. Era um local compreensivelmente evitado pelas pessoas.

Certamente que aquela era uma fogueira impressionante, que nunca apagava, pois estava sempre sendo realimentada. Ela foi colocada como um tipo do fogo eterno, isto é, o fogo que queimava o lixo para sempre ou eternamente. Este é o sentido das palavras olam, do hebraico, e aión ou aiónios, do grego, de onde foram traduzidas as expressões mencionadas, dando a elas o referido sentido de perpetuidade.

Ora, se tomarmos uma folha de papel, um pedaço de madeira ou o cadáver de um animal e lhes atearmos fogo, o que lhes sucederá? Após consumirem as chamas toda a sua estrutura certamente ele terá sido
queimado para sempre ou eternamente.  Assim é o sentido das palavras traduzidas por aqueles vocábulos. Queimam para sempre, ou seja, duram enquanto matéria ou combustível para queimar. Esgotando-se este combustível, ou a matéria, deixam de queimar, são destruídos, queimados para sempre. Jamais poderão voltar a existir e nem continuarão a queimar indefinidamente.

Aquele fogo “olam” que queimava para sempre nos arredores de Jerusalém e que, pelo texto literal, nunca se apagaria, não existe mais há séculos. O vale do filho de Hinon, que era um terreno árido, transformou-se, adubado pelos detritos orgânicos, num vale fértil, quando a
grande fogueira deixou de arder e atualmente é um bonito e aprazível lugar conhecido por Uádi er-Rababi.

A expressão Geena foi registrada em inúmeras passagens para representar este fogo que nunca se apaga. As cidades de Sodoma e Gomorra foram colocadas,
por exemplo, como símbolo do fogo eterno, como está escrito:

“Assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se corrompido como aqueles, e ido após outra carne, foram postas como exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno (Judas 7).

É absolutamente certo e sabido que aquelas cidades, destruídas pelo fogo, hoje não queimam mais. O fogo que as destruiu foi apagado há milênios, após cumprir o seu propósito e objetivo de destruí-las. Também a cidade de Jerusalém foi colocada como exemplo desse fogo eterno, como se vê da advertência que O Senhor lhe enviou, através do profeta Jeremias:

“Mas, se não Me derdes ouvidos, para santificardes o dia de sábado, e para não trazerdes carga alguma, quando entrardes pelas portas de Jerusalém no dia de sábado, então acenderei fogo nas suas portas o qual consumirá os palácios de Jerusalém, e não se apagará (Jeremias 17:27).

Sendo a advertência ignorada, foi a sentença então cumprida:

“E queimaram a casa do Senhor, e derrubaram os muros de Jerusalém, e todos os seus palácios queimaram a fogo, destruindo também todos os seus preciosos vasos. Para que se cumprisse a palavra do Senhor, pela boca de Jeremias, até que a terra se agradasse dos seus sábados...” (II Crônicas 36:19 e 21).

O fogo eterno, que pelo texto literal não se apagaria, realmente se apagou. Entretanto ele não foi apagado enquanto não cumpriu o seu propósito, enquanto não queimou, para sempre, cumprindo a sentença antes proferida.

Falando sobre a Nova Terra, a herança dos salvos, no futuro, e sobre a destruição dos ímpios, o Senhor anunciou, através do profeta:

“Porque como os céus novos, e a Terra nova, que hei de fazer, estarão diante da Minha face, diz o Senhor, assim há de estar a vossa posteridade e o vosso nome (22). E será que desde uma lua nova até à outra, e desde um sábado até ao outro, virá toda a carne a adorar perante Mim, diz o Senhor (23)” (Isaías 66:22-23).

Então, fazendo uma comparação ilustrativa com o vale dos arredores de Jerusalém, Ele menciona os que serão destruídos no último dia:

“E sairão, e verão os corpos mortos dos homens que prevaricaram contra Mim; porque o seu bicho nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e serão um horror para toda a carne(verso 24).

Ora, o bicho que nunca morre, ou os vermes, proliferavam naquele amontoado de lixo e o fogo nunca apagava porque sempre havia material para ser consumido e o fogo era constantemente reavivado. É interessante notar-se que o texto se refere a corpos mortos e não a almas vivas.

Ora, os corpos sem dúvida desaparecerão depois de completamente queimados. Desta imagem impressiva e tocante serviram-se muitos escritores, repetimos, dela utilizando-se o próprio Salvador, para que aqueles para quem se dirigia Sua mensagem pudessem entender quão
terríveis são as consequências da impiedade e os seus resultados certos.

Eis as Palavras de Jesus, repetindo as palavras do profeta Isaías:

“E, se o teu olho te escandalizar, lança-o fora; melhor é para ti entrares no reino de Deus com um só olho do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno (47). Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga (48)” (Marcos 9:47-48).

A advertência de Jesus sobre o destino certo dos ímpios e sua eterna destruição foi repetida em outras ocasiões:

“Então dirá também aos que estiverem à Sua esquerda: apartai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno (Geena), preparado para o diabo e seus anjos” (Mateus 25:41).

É significativa a contraposição que Ele faz entre os que receberem o castigo e os que farão jus ao prêmio. E estes irão para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna (verso 46). 

Inúmeros são os textos das Escrituras que esclarecem que o prêmio é a vida, e o castigo, a morte eterna. Outros apóstolos reafirmaram essa verdade, a advertência para quem adorar a besta, e a sua imagem, e receber o seu sinal na sua testa, ou na sua mão:

“Também beberá este do vinho da ira de Deus, preparado, sem mistura, no cálice de Sua ira. E será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos, dos anjos e do Cordeiro (10). E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre. Não têm repouso, de dia ou de noite, os que adoraram a besta e a sua imagem, e aqueles que receberam o sinal do seu nome (11)” (Apocalipse 14:10-11).

E a sentença inexorável será cumprida na condenação dos desobedientes, como está registrado no texto sagrado:

“E a besta e o falso profeta... e os mortos que foram julgados (e condenados) cada um segundo as suas obras... e o diabo que os enganava... foram todos lançados no lago de fogo e enxofre que é a segunda morte... e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre”  (Apocalipse 19:20; 20:10-15).

Novamente é chamada a especial atenção para os vocábulos olam e aionios, do hebraico e do grego, respectivamente, de onde foram traduzidas as expressões para todo o sempre ou eternamente e a lembrança de que eles trazem uma conotação de completa extinção. Este é o sentido que lhes dá a Palavra de Deus, e não o de que permanecerão indefinidamente queimando, para todo o sempre, num sofrimento sem fim.

Note-se que todas estas referências do Geena encaminham para o entendimento de que se referem ao castigo final, que será aplicado aos condenados e que será executado no juízo final, ou seja, a segunda morte no lago de fogo – morte definitiva, da qual não haverá
ressurreição.

A palavra grega Hades é outro termo traduzido por “inferno” que tem o seu equivalente hebraico na palavra Sheol.. Ambas possuem o mesmo significado e se aplicam à sepultura comum da população. Esta equivalência pode ser constatada ao se comparar a tradução das escrituras hebraicas para o grego, quando a palavra hebraica é traduzida sessenta vezes para o termo grego, dando-lhe sempre o sentido de cova ou sepultura.

Estas palavras têm claramente o significado de túmulo, e se referem a um lugar subterrâneo, onde se guardam os mortos, lugar de escuridão e trevas. É o lugar para onde vão todas as pessoas depois da morte. Tradutores e intérpretes, ao longo do tempo modificaram o sentido original de sepultura para a palavra “inferno”, indevidamente utilizada como um local onde supostamente estão as “almas desencarnadas” ou os “espíritos” de pessoas mortas. Existem centenas de referências, dentre as quais apenas algumas serão mencionadas para explicar o seu sentido verdadeiro.

Não há dúvida, pela Palavra de Deus, que a consequência do pecado é a morte, personificada pela sepultura e traduzida  equivocadamente pela palavra inferno. Ao serem os remidos resgatados do poder da morte, ou da sepultura ou, nesse caso, do inferno, cumprir-se-ão as palavras do Senhor através do profeta, repetidas séculos depois pelo apóstolo, ao se referirem eles à ressurreição dos justos, na vinda de Jesus:

“Eu os remirei da violência do inferno, e os resgatarei da morte. Onde estão, ó morte, as tuas pragas? Onde está, ó inferno (Sheol), a tua perdição? O arrependimento será escondido de meus olhos (Oséias 13:14).

“Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno (Hades), a tua vitória?” (I Coríntios 15:54-55).

As palavras de Jesus não deixam margens a dúvidas:

“Eu sou o Primeiro e o Último. E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. E tenho as chaves da morte e do inferno (Hades) (Apocalipse 1:17-18).

Jesus não quis dizer que Ele tem as chaves do lago de fogo ou de um lugar de tormentos, mas que tem, sim, as chaves dos sepulcros, de onde vai em breve retirar os mortos de sua prisão que Satanás acreditava e desejava que fosse eterna.

“Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o Teu Santo veja a corrupção (decomposição ou putrefação) (Salmos 16:10; Atos 2:27).

A tradução da palavra hebraica “Sheol” utilizada pelo salmista é a mesma da palavra  grega “Hades” usada pelo apóstolo, referindo-se as duas ao mesmo fato, ou seja, o de que Jesus foi morto, mas que seu corpo não passou por decomposição na sepultura.

“Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja; e as portas do inferno (Hades) não prevalecerão sobre ela” (Mateus 16:18).

Evidentemente que Jesus estava falando sobre as portas da sepultura, cuja chave Ele havia retomado com Seu sacrifício na cruz e que irá abrir no dia da Sua volta a este mundo, em breve, para a ressurreição dos justos.

São muitas centenas de textos no Antigo e Novo Testamento, que foram traduzidos por inferno, dando-lhes uma significação que não era o propósito do Autor das Escrituras. Para entender o porquê desse falso entendimento é necessário buscar as suas causas, propósitos e consequências.

A causa primária é a mentira proferida por Satanás ao primeiro casal, no Éden, quando o grande adversário de Deus atrevidamente contestou as palavras do Criador, quando lhes foi advertido que se desobedecessem às Suas ordens eles certamente iriam morrer. Simplesmente isso. Eles deixariam de viver. Satanás afirmou que eles não iriam morrer se desobedecessem às ordens de Deus, mas que, pelo contrário, iriam viver em um nível de existência mais elevado, conhecendo os segredos que o Senhor não lhes revelara.

A Bíblia afirma que o homem é uma alma, uma alma viva. E que a alma que pecar, essa morrerá (Ezequiel 18:4). E que o espírito é a fagulha vital que anima e que dá vida a toda criatura. E que, quando ela morre, esta energia vital retorna à sua fonte, que é Deus, a fonte da vida. E, mais, que o corpo formado do pó, depois da morte volta ao pó, sua matéria prima.

Mas ao longo dos séculos e pelo afastamento do homem dos princípios ensinados por Deus este pensamento foi sendo esquecido. E a palavra de Satanás prevaleceu sobre a Palavra de Deus. Primeiramente os antigos egípcios inventaram e divulgaram o pensamento de que a alma é uma entidade ligada ao corpo e que não pode morrer. Esta crença foi absorvida e multiplicada por pensadores e filósofos gregos que encheram o mundo com esta doutrina.

Como surgiu a ideia da condenação eterna e onde ela se manifestou pela primeira vez? Se a alma não pode morrer e se existe no senso de justiça um tipo de prêmio ou castigo de pois da morte, surgiu a ideia de lugares de prêmio ou castigo, eternos.

É necessário que se destaque que esta ideia não é bíblica, mas que ela remonta às mais antigas das civilizações, fazendo parte dos cultos babilônicos, persas e egípcios, entre outros. Juntamente com o inferno, que seria o lugar definitivo de condenação das pessoas após a morte, surgiu na antiga Pérsia o dogma de um lugar em que as pessoas ficariam temporariamente purgando as suas culpas, pagando os seus pecados. Assim, após um determinado período de tempo nesse purgatório, tempo esse variável de acordo com os pecados acumulados na vida, a pessoa estaria purificada e apta para o paraíso.

Com o sincretismo religioso verificado nos primeiros séculos da era cristã, os princípios do paganismo foram sendo, paulatinamente, absorvidos por um sistema religioso que se dizia cristão, mas que se desviava dos límpidos e puros princípios bíblicos e apostólicos. Dentre as doutrinas que o sistema adotou do paganismo destacam-se a da imortalidade da alma e a do inferno eterno.

Chegando a obter o poder absoluto tanto o espiritual, como o temporal e político este sistema dominou soberano por mais de doze séculos, especialmente nos anos sombrios da Idade Média, impondo sua autoridade por todos os meios possíveis e imagináveis. Centenas de milhares de pessoas foram torturadas e mortas e quem se lhe opusesse estava sujeito às chamas imediatas da inquisição ou às chamas futuras do inferno, se fosse por ele excomungado.

A excomunhão era a arma mais temida do poder papal. Por meio dela muitos soberanos foram destronados e perderam os seus reinos. Para manter o seu poder e mesmo ampliá-lo, estabeleceu-se o dogma absurdo da infalibilidade papal e, através dele, as doutrinas mais esdrúxulas e anticristãs, como o perdão dos pecados através de pagamento em dinheiro ou bens para a igreja e para o clero.

Buscou-se dos antigos persas a doutrina do purgatório, por ser esta bastante cômoda e adequada para os seus propósitos mercenários. Esta doutrina havia sido estabelecida no ano de 593 pelo papa Gregório I. Mas, entrando em cena as vendas das indulgências e das relíquias de santos, o que enriqueceu sobremaneira a igreja e os seus prelados, foi ela proclamada como um dogma pelo concílio de Florença, no ano de 1439. Por determinada quantia a pessoa tinha sua pena de purgatório diminuída ou mesmo cancelada. As indulgências plenárias tinham o mérito de perdoar toda a dívida do pecador, livrando-o de até milhões de anos das chamas do purgatório ou mesmo do inferno.

Todos queriam se livrar das temidas chamas espirituais, a si e a seus parentes, e não mediam esforços para comprar estes favores dos quais a igreja se dizia depositária. Em lugar da Bíblia Sagrada, proscrita, a verdade que imperava era a vontade de bispos e padres e a mais baixa superstição que escravizava o sentimento popular.

Quanto mais terríveis eram apresentados estes tormentos, pela igreja de Roma, mais as pessoas se apressavam e se esforçavam para deles se livrar, não medindo sacrifícios para adquirir, por dinheiro, a garantia do seu livramento.

Ora, este estado de coisas foi que deu motivo à reforma luterana. Entretanto, alguns princípios enraizados ao longo de tantos séculos, permaneceram até mesmo entre os reformadores e aqueles que os acompanharam na separação da igreja de Roma. Tudo isto teve os seus reflexos, inclusive na tradução dos originais hebraicos e gregos das Escrituras. Muitos textos de difícil compreensão e de interpretação dúbia foram traduzidos levando-se em conta os princípios antes aceitos, entre eles o da imortalidade da alma, ainda que errado.

Originalmente Sócrates a havia adotado, depois de uma viagem ao Egito. Ele a ensinou ao seu mais ilustre discípulo, Platão, que a aperfeiçoou, ensinando-a ao seu principal aluno, que se transformou no maior de todos os defensores da imortalidade da alma. Todos estes sábios pertenciam a um povo pagão e a uma civilização politeísta e idólatra. Esse ensinamento não é da Bíblia e nem veio de Deus. Sua origem vem do grande apóstata. 

Desde os tempos de Jesus essa doutrina já se enraizara entre os judeus. Filon de Alexandria, judeu que adotou a filosofia grega, foi quem associou  a filosofia dos gregos com os ensinos de Moisés. Ele foi o primeiro a adotar essa ideia, seguida no cristianismo por Santo Agostinho e depois por aquele que é considerado o maior filósofo e teólogo cristão, Tomás de Aquino, que assimilaram completamente a filosofia de Platão e Aristóteles, respectivamente.

Mas Deus não deu a sua verdade a gregos, babilônios, romanos ou a qualquer outro povo ou nação, mas somente ao povo que escolheu, aos hebreus, como está escrito claramente em Sua Palavra:

“Mostra a Sua Palavra a Jacó, os Seus estatutos e os Seus juízos a Israel (19). Não fez assim a nenhuma outra nação; e, quanto aos Seus juízos, não os conhecem (20)” (Salmos 147:19-20).

E as Escrituras judaicas claramente repudiam a ideia da imortalidade da alma, afirmando que somente o grande EU SOU, o Todo-poderoso tem, Ele só, a imortalidade (II Timóteo 6:16).

Mas se a alma é mortal, então como se explicam os textos onde se diz que os que forem condenados serão atormentados para todo o sempre nas chamas de um lago de fogo, chamas estas que nada mais seriam do que a doutrina do inferno, um lugar de sofrimentos atrozes e que jamais terão fim?

É quase irresistível a influência que esta doutrina sempre exerceu e exerce sobre pessoas crédulas, ignorantes e influenciáveis, que sempre foram dominadas por líderes religiosos, em todas as épocas. O medo de uma existência futura num lugar de sofrimento eterno sempre teve mais poder sobre esse tipo de pessoas do que os castigos temporais e materiais que pudessem ser impostos sobre sua existência terrestre.

Ainda hoje esse encantamento é exercido por padres, pastores e líderes de religiões e instituições, que enchem de horror os seus fiéis e seguidores, com o temor de um lugar medonho e que nasceu da mente cruel e malfazeja de Satanás. É evidente o seu propósito de promover o poder e domínio material, político, social e financeiro desses líderes, enriquecendo-os e tornando-os notórios. A religião contemporânea é um dos maiores fatores de poderio e domínio por parte dos seus líderes, sejam quais forem suas denominações.

A pior consequência dessa doutrina é o afastamento da verdade e o profundo desconhecimento do caráter benevolente do Criador, levando as pessoas à incredulidade e à desconfiança nas Escrituras. O resultado é a crença em sistemas alternativos de salvação, como as indulgências, a salvação pelas obras, os santos intermediários, as diversas reencarnações, enfim, um sem-número de doutrinas espúrias, não bíblicas, ritos, cerimônias e superstições que afastam as pessoas da verdade bíblica e da salvação. 

A VERDADE BÍBLICA

A Bíblia Sagrada fala realmente de um lago de fogo onde Satanás e todos os seus anjos serão lançados, juntamente com  todos os pecadores obstinados que recusarem a salvação e não se arrependerem para o perdão dos seus pecados. Mas este fogo não ficará aceso, perpetuamente. Ele se apagará.

É impossível, para pessoas normais, equilibradas e racionais, conciliar a verdade bíblica de que Deus é amor (I S. João 4:8) com a ideia de um inferno eterno, um lugar de tormentos inimagináveis e de desesperança infinita.

Não existe nenhuma doutrina mais ofensiva a Deus e ao Seu caráter de infinita misericórdia, do que a doutrina do tormento eterno. Tal doutrina somente poderia ter sido engendrada pela mente maldosa de Satanás, que induziu as pessoas a imaginar que o Benevolente e Longânimo Criador pudesse ter um caráter maligno como o seu próprio.
Deus não criou e nem jamais criará tal lugar de eterna desdita, sofrimento e tristeza para os Seus filhos. O próprio ato de destruir o ímpio para preservar a harmonia do Universo e o bem dos outros filhos é um ato estranho e contrário ao Seu caráter benevolente e paternal. Está escrito, a este respeito, quando tiver que executar a sentença de morte eterna aos condenados:

Porque o Senhor se levantará... para fazer a Sua obra, a Sua estranha obra, e para executar o Seu ato, o Seu estranho ato” (Isaías 28:21).

E Ele fará isso porque não restará nenhuma alternativa, baldados todos os esforços, esgotados todos os recursos do céu, inclusive o oferecimento de Sua própria vida no sacrifício da cruz, incompreensível até para os próprios anjos. E mesmo porque o ímpio não sentiria nenhum prazer na pureza do céu, por causa da sua obstinada impiedade. Eis o que sucederia se lhe fosse concedida a vida eterna, no reino de Deus:


“Ainda que se mostre favor ao perverso, nem por isso aprende a justiça; até na terra da retidão ele comete a iniquidade, e não atenta para a majestade do Senhor” (Isaías 26:10).

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