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domingo, 20 de dezembro de 2015

TROMBETAS E PRAGAS - O Sexto Flagelo



O SEXTO FLAGELO, O SEGUNDO "AI"
O sexto flagelo revela aquela que será a maior batalha de todos os tempos, envolvendo o maior aparato bélico de que se tem notícia. Ela será travada no Oriente Médio, numa região próxima ao Rio Eufrates, envolvendo exércitos da ordem de duzentos milhões, ou vinte vezes dez milhares, ou ainda, de duas miríades de miríades de combatentes, conforme a versão que for estudada. Esta batalha se dará por meio de um gigantesco ataque de forças coligadas quando, numa data previamente anunciada, será morta a terça parte da população daquele lugar, ou dos envolvidos nesse conflito.


É importante lembrar que, ao começar o julgamento dos vivos, quatro poderosos anjos receberam a incumbência de se postarem em todos os lugares do mundo, com a missão de impedir guerras de destruição ou grandes tragédias ambientais até que terminasse o julgamento no Santuário Celestial e que fossem assinalados nas suas testas “os servos do nosso Deus” (Apocalipse 7:3).

Naquela ocasião a ordem que receberam foi para que permanecessem “nos quatro cantos da Terra”, expressão que indica a extensão planetária de sua missão:

“Depois disso vi quatro anjos que estavam em pé, postados nos quatro cantos da Terra, retendo os quatro ventos da Terra, para que nenhum vento soprasse sobre a Terra, nem sobre o mar, nem contra árvore alguma” (Apocalipse 7:1).

Agora, nesta ocasião analisada, ao se cumprirem os eventos dessa profecia e depois de passados quase quatro anos daquela ordem, estes mesmos anjos não são vistos mais segurando as tensões mundiais, mas estarão restritos e limitados à região mais conflagrada da Terra, próxima ao Rio Eufrates, liberados de sua missão. Assim sendo, nada mais poderá reter o ímpeto belicoso e destrutivo que irá provocar o grande morticínio envolvendo o maior número de combatentes de toda a História.

A expressão ano, dia, mês e hora não se refere a um período de tempo, mas a uma data específica, em que possivelmente a coalizão de forças comandada pelo que a profecia chama de “Rei do Norte”, ou seja, as forças aliadas das potências supervisionadas pela ONU enviarão um ultimato a potências dissidentes que não o aceitarão. 

É como se emitissem um aviso e advertência de que, se não atendessem às condições estipuladas, estariam sujeitas a um ataque fulminante em uma devida data marcada  – por exemplo, e apenas para ilustração -, às 12 horas do dia 11 de setembro de 2019. Essas potências dissidentes possivelmente sejam a Rússia e a China, representadas na profecia de Daniel como as que emitem sinais preocupantes (Daniel 11:44).
De acordo com este entendimento as especificações da profecia estarão cumpridas. Nesse ultimato estará registrada a hora: meio-dia, ou 12 horas; o dia: 11; o mês: setembro e o ano: 2019.   

O texto que anuncia a sexta trombeta começa assim:

“O sexto anjo tocou a sua trombeta. Ouvi então uma voz que vinha das quatro pontas do altar de ouro, que está diante de Deus (13). Ela ordenava ao sexto anjo que tinha a trombeta: Libera os quatro anjos que estão retidos junto ao grande Rio Eufrates (14). E foram liberados os quatro anjos que seguravam os quatro ventos, para que permitissem que fosse morta, naquele lugar, a terça parte dos homens na hora, dia, mês e ano, para este fim preparado (15)” (Apocalipse 9:13-15).

E o texto que mostra a consequência do terrível evento declara:

“O sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates, e a sua água secou-se, para que fosse preparado o caminho para os reis do Oriente” (Apocalipse 16:12).

O secamento do rio Eufrates anunciado na profecia é meramente simbólico e faz alusão à conquista de Ciro e Dario, os reis do Oriente que no passado desviaram o curso desse rio e tomaram a aparentemente inexpugnável cidade de Babilônia.

Como as palavras rio, mar e águas são traduzidas na simbologia profética por povos, multidões, nações e línguas, é possível que esse esvaziamento do Eufrates se refira ao morticínio de milhares, ou talvez milhões de pessoas que habitam ou que combatam nesse local.

A referência aos reis do Oriente pode ser meramente retórica, como também pode mencionar o preparo para o maior acontecimento da História do Universo, que está às portas: a vinda do Grande Rei, com os Seus anjos, nas nuvens do Céu.

E o número dos exércitos dos cavaleiros era de duzentos milhões. Eu ouvi o número deles (16).

A descrição dos combatentes, sua aparência e equipamentos, assim como os seus armamentos são parecidos com os descritos nos textos do quinto flagelo, já comentados no capítulo anterior. Os modernos tanques de guerra e a aviação utilizada nos combates satisfazem às especificações da profecia, de acordo com a descrição do profeta, limitada pelo seu conhecimento do vocabulário e tecnologia atuais.

“E assim vi os cavalos e os cavaleiros, nesta visão: As suas couraças eram vermelhas como o fogo, azul-escuro e amarelas, como o enxofre. A cabeça dos cavalos parecia a cabeça de um leão. E das suas bocas lançavam fogo, fumo e enxofre (17). Por estas três pragas foi morta a terça parte dos homens, isto é, pelo fogo, pelo fumo e pelo enxofre que saíam da boca dos cavalos (18). O poder dos cavalos está na sua boca e nas caudas, pois as suas caudas são semelhantes a serpentes e têm cabeças, e com elas causam dano (Apocalipse 17-19).

Depois da grande conflagração ninguém se arrependeu de seus pecados e todos continuaram com suas práticas ímpias e corruptas. E não poderia ser diferente, porque o julgamento no Céu já estava encerrado e Jesus não mais intercedia pelos pecadores. Assim como nessa época será impossível os “escolhidos” serem enganados e sucumbirem a alguma tentação (Mateus 24:24), também será impossível aos que tiveram os seus nomes excluídos do Livro da Vida se arrependerem de seus pecados.

Os que não foram mortos por estes castigos nem assim se arrependeram dos seus pecados. Continuaram a adorar os demônios e os ídolos de ouro, prata, bronze e madeira, que não podem ver, nem ouvir e nem andar (20). Nem se arrependeram de seus homicídios, feitiçarias, depravação sexual e corrupção (21) (Apocalipse 9:20-21).

A união de todos os reis da Terra e de todos os povos e religiões contra o remanescente de Deus:

A grande batalha já havia sido travada. Os seus resultados deixaram o mundo cheio de pavor. Não mais existe dissidência política no mundo devastado pela guerra, pela fome, pelas doenças e pelas catástrofes ambientais e climáticas. A situação global é de caos, violência e barbárie. 

Um grupo de pessoas é escolhido por todos como bode expiatório e culpado pelas extensas consequências que ameaçam exterminar a vida na Terra. Universalmente odiados por serem os únicos que não aceitaram a imposição do domingo como dia mundial de descanso, eles são objeto de ódio e escárnio universal. A eles é imputado o desagrado de Deus, pela desobediência ao decreto que instituiu a obrigatoriedade da guarda do primeiro dia da semana, dia que consideram sagrado.

Então todos se unem num propósito comum: destruir a seita maldita, exterminar os guardadores do sábado, que atravessaram incólumes, miraculosamente protegidos, todas as tragédias que se abateram sobre o mundo e que mataram e estão matando centenas de milhões, bilhões de pessoas.

Assim como todos os reis da Terra – os chefes de Estado de todas as nações do mundo – se reuniram num acordo climático em Paris para preservar o planeta, todos se unirão novamente, agora no propósito e projeto de exterminar esse grupo dissidente. E o lugar escolhido é Jerusalém, sede do governo mundial. Líderes políticos e religiosos decidirão finalmente decretar a morte de todos os que a Palavra de Deus chamam de “as minhas duas testemunhas” (Apocalipse 11:3-13), aqueles que “guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus” (Apocalipse 14:12).

“Então vi saindo da boca do dragão, da besta e do falso profeta três espíritos imundos, semelhantes a rãs (13). São espíritos de demônios, que fazem milagres e que vão em busca dos reis de toda a Terra, a fim de congregá-los para a batalha, no grande dia do Deus Todo-poderoso (14). (Apocalipse 16:13-14).

O dragão (Satanás), a besta (a monarquia vaticana e a igreja de Roma) e o falso profeta (o protestantismo apóstata americano e mundial) influenciarão os líderes mundiais e os induzirão a assinar esse decreto. Este é o derradeiro conflito entre as forças do bem e do mal. Não é uma batalha de armas, mas de ideias. Não é uma batalha material, mas espiritual, deflagrada em Jerusalém, no lugar que a profecia chama de Armagedom.

E os três espíritos imundos reuniram os reis da Terra no lugar que em hebraico se chama Armagedom (16).

O conselho de Deus e de Sua sagrada Palavra é que todos estejam preparados e prevenidos para esse solene acontecimento e para esse tempo terrível. E o tempo de preparo é agora, quando as portas da graça ainda permanecem abertas e a bem-aventurança da salvação continua oferecida.

Eis que venho como ladrão! Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para que não seja vista a vergonha da sua nudez (15).

UMA INTERPRETAÇÃO TRADICIONAL E... IRRACIONAL

Uma interpretação antiga e tradicional tem sido ensinada pelos adventistas e não atende a nenhuma das especificações da profecia. Esta afirmação parece ousada e até atrevida, mas ela é verdadeira. Este estudo apenas deseja apresentar as razões desta afirmação, apenas obedecendo à ordem de Jesus de compartilhar as bênçãos do conhecimento sem a pretensão de convencer a quem quer que seja. pois isso é prerrogativa apenas do Espírito de Deus. Os leitores assim chegarão às óbvias conclusões. 

A centenária e equivocada teoria em voga considera a influência do império turco-otomano e a implantação do islamismo como sendo o cumprimento da sexta trombeta. É inacreditável como ela tenha prevalecido por tanto tempo, aceita e ensinada, sem o devido cuidado para identificar as suas falhas e completa impertinência com o texto profético.

É fato inquestionável e que pode ser comprovado pela História que o império em questão somente foi dissolvido no ano de 1922. Sua expansão se deu de 1299 a 1453, com a conquista de Constantinopla e estagnou de 1683 a 1827, quando começou seu declínio, que foi até ao ano de 1908. A partir de então começou o seu processo de dissolução, que chegou ao fim em 1922. Antes disso esse império esteve envolvido nas guerras conhecidas por “Guerra Italiana”, em 1909 e “Guerra dos Bálcãs”, de 1912 a 1913. Esse império teve participação ativa na primeira Grande Guerra mundial.

A intermediação de 4 potências europeias que culminou com um acordo de paz assinado entre o império turco e o Egito em 11 de agosto de 1840 não deflagrou a tragédia anunciada pela profecia, na qual deve morrer a terça parte da Terra. Pelo contrário, esse armistício evitou uma guerra e ninguém foi morto e nem foi disparado um único tiro. Na realidade o que ocorreu foi o oposto do que a profecia prevê.

Esta interpretação considera como sendo os quatro anjos mencionados no texto profético os quatro principais sultanatos que compunham o império Otomano, no passado: Alepo, Icônio, Damasco e Bagdá.

Ela supõe que a invenção da pólvora e a sua utilização ainda rudimentar naquele tempo é o efeito mortal que justifica o texto que declara que “foi morta a terça parte dos homens” (Apocalipse 9:18), e que “Constantinopla foi subjugada, seu império subvertido, e sua religião conculcada ao pó pelos conquistadores muçulmanos” (Texto utilizado para justificar o “cumprimento” da profecia, retirado de Horae Apocalypticae, de Elliot, v. 1, p. 484, citado em Estudos Bíblicos, Cpb, pag. 115). Na verdade, isso não explica e nem justifica nada, do ponto de vista profético.

O compêndio Estudos Bíblicos, mencionado, transcreve que o ministro das quatro maiores potências da Europa “naquele mesmo dia, 11 de agosto de 1840, pôs nas mãos de Mehmet Ali o ultimato ditado por essas potências. Nesse dia, também, as frotas aliadas apareceram ante Beirute, preparadas para impor o ultimato (ver Uriah Smith)” (Obra citada, pag. 116).

Ora, “naquele mesmo dia, 11 de agosto de 1840”, o ultimato mencionado na profecia foi aceito. Não houve o disparo de nenhum tiro. Não houve derramamento de uma única gota de sangue. Como se explica a terrível solenidade deste segundo “ai”? Onde está a suprema dor causada ao mundo, com a morte da terça parte dos seus habitantes? E onde está na História e na interpretação anódina o aparecimento do exército de duzentos milhões de combatentes?

Os dois principais responsáveis por esta teoria mentirosa foram JOSIAS LICHT e URIAS SMITH. Seria interessante examinar algo da biografia desses dois personagens:

JOSIAS LICHT – (1809 – 1886) Foi um pastor metodista, o primeiro a se unir a Guilherme Miller na Nova Inglaterra. Ele aplicou a profecia da 5ª e 6ª trombetas ao império otomano mas, posteriormente, admitiu que havia erro na interpretação das trombetas. Licht nunca se tornou um membro da IASD e deixou de crer mesmo na profecia das 2.300 tardes e manhãs. Ele adotou, depois, uma interpretação futurista com relação às profecias do Apocalipse , capítulos 5 em diante”.  (SDABC, vol. 10, pag. 705).

URIAH SMITH – (1832 – 1903) –  Foi editor-chefe do periódico mais importante da denominação, atuando nesta função por mais de 35 anos, ao todo. Nessa função ele podia moldar o pensamento adventista sobre quase todos os assuntos durante os anos formativos da igreja. Além de ocupar a mais influente posição editorial durante um período decisivo , Uriah também escreveu alguns dos livros mais importantes da denominação”.  (George R. Knight, Para Não Esquecer – Meditações Diárias, Cpb, pag. 132).

A obra citada, na mesma página acrescenta que dois de seus livros sobre as profecias de Daniel e Apocalipse  “tiveram grande influência na formação do pensamento adventista sobre as profecias. Mais tarde, as duas obras foram unidas em Daniel and the Apocalipse (Daniel e o Apocalipse), e seu trabalho próspero se tornou a referência sobre o assunto por cerca de 75 anos”. Ainda na mesma página a informação adicional de que “É claro que Uriah enfrentava desafios espirituais”. Que desafios espirituais seriam esses?

Talvez a resposta esteja na página 296 da mesma obra, a qual relata o histórico da Igreja Adventista desde o seu princípio. O autor relata que ele se opôs a princípios relacionados aos Dez Mandamentos e a relação entre a lei e o evangelho, defendidos por Waggoner e apoiados por Ellen White. Ele declara que “após as reuniões de Mineápolis, Smith seria o cabeça da onda de lançar dúvidas sobre a obra de Ellen White.” 

“Entretanto, ele ainda tinha parte do velho Smith dentro de si. Pouco depois de reassumir o posto de editor, voltou a abrir guerra sobre Gálatas e precisou ser demitido. Ele nunca se recuperou do choque”. (Obra citada, destaque acrescentado).
   
Estes comentários sobre estes pioneiros não pretende lançar vitupério sobre suas memórias. Apenas deseja chamar a atenção para o fato de que suas ideias pessoais e suas suposições não são suficientes para dar um caráter de infalibilidade às suas teorias.

Sua interpretação é espúria e equivocada, disso não há dúvida e, para o bem de Laodiceia, deve ser revista e abandonada. O povo de Laodiceia deve reconhecer que esteve errado e não deve permitir que o orgulho o impeça de enxergar a verdade, com o colírio do discernimento. Pois a Serva do Senhor escreveu e é bom que prestemos atenção à advertência que fez:


Temos muitas lições a aprender, e muitas, muitas a desaprender. Unicamente Deus e o Céu são infalíveis. Os que pensam que nunca terão de desistir de um ponto de vista acariciado, nunca ter ocasião de mudar de opinião, serão decepcionados. Enquanto nos apegarmos às próprias ideias e opiniões com determinada persistência, não podemos ter a unidade pela qual Cristo orou”. (Review and Herald, 26 de julho de 1892, texto repetido nas seguintes publicações: Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, pag. 30; Mensagens Escolhidas, Vol. 1, pag. 37; A Igreja remanescente, pag. 26; Vida e Ensinos, pag. 203).

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